III Polo Poético

O Polo EaD de Nova Friburgo, por meio da coordenação do curso de Licenciatura em Letras, está organizando o III Concurso de Poesias Polo Poético.

Dos poemas enviados, 9 foram selecionados para participarem da grande final do dia 22 de outubro, na III Jornada de Letras, quando serão definidos os vencedores dos prêmios.

O regulamento do concurso e a programação do evento estão disponíveis no link:

https://polofriburgo.wordpress.com/2016/10/13/iii-jornada-de-letras-e-iii-concurso-polo-poetico/

Os textos para a votação estão dispostos a seguir, em ordem alfabética. A votação deve ser feita na enquete ao final da página até às 23h55min do dia 21 de outubro.

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1
A partida
Pseudônimo: WSM

Muitos dizem
Que a partida faz parte da vida
Mas que parte é essa
Que não parte
E chega inteira
Partindo  por inteiro
Cada parte da gente?

O que falar nessa hora
Se nenhuma palavra se encaixa?
Que língua é essa
Que passamos a vida tentando entender?
Pra quê?
Se na partida
Nada se fala: se cala

E o calar, fala…
Fala muito mais que palavras
Pra que palavras?
Se nos momentos difíceis
As palavras somem
Somem porque não comportam o sentido
O sentido do ser sofrido

E o que foi dito ficou
E o que não foi
Já não foi…
Ah … as palavras
Estão aqui nessa hora
Ajudando a entender
Ou apenas a não perder
A oportunidade de dizer
O que sozinha

Nenhuma palavra diz

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2
Aquela palavra
Pseudônimo: Alice Alternativa

Que difícil é encontrar a palavra certa!
Que difícil é saber qual expressão
Com exata ou inexata exatidão, o mundo precisa
Eu juro que tentei, alimentando aquela palavra desperta
Com todos os circunflexos alertos
Vírgulas que transcorriam dos meus dedos buscando seu espaço no mundo
E aspas que não queriam ficar
Aquela palavra possui reticências nas entrelinhas
E possui entrelinhas sem reticências
Além do mais, aquela palavra tem um amor casual
com o ponto final
E se embriaga , quase se suicida quando ele não quer vir
Termina flertando com o ponto de interrogação
Mas todas as tentativas me serviram para adornar aquela palavra que não é fútil
Ela é leve, é livre, é solta
Porque a minha palavra eu alimento de Poesia

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3
Interdiscurso
Pseudônimo: Effa 

Por trás do que há
do “Alô”
e do “Amém”,
da letra e da forma,
do que se transforma,
houve e há alguém.

Seja no ontem
ou mais além,
nada se separa,
já a intenção escancara
como é velha a roupa
do novo que vem.

 E nesse novo que vem
e velho que vai,
a história fica,
permanece escrita
no olho do signo
que a palavra fita.

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4
Mergulho na alma
Pseudônimo: Anônima

Quando mergulho dentro das minhas entranhas
A perplexidade invade cada gota do meu ser
E um imenso espírito avassalador
Seduz, envolve , espanta
Quando percebo, já me devorou
Ansiedade,  culpa, euforia, medo
Na encruzilhada da existência,
Olho e não enxergo,
Leio e não compreendo,
Morro e vivo em questões de segundos.
Sou fogo depois virou cinza,
Calor, frio,
Amargo, doce,
Grossa e delicada
Em busca de equilíbrio, plenitude, liberdade.
Utopias,  filosofia,  parábolas
Que fazem um emaranhado
Pelo qual me perco.
A magnificência da vida sublime
Cheias de mitos, lendas, estórias de outrora
Num derradeiro combate sem sentido.
Cada passo um abismo profundo
Existirá explicações? !
Então,  pra que tantas confusões? !
Vivo atormenta por um inimigo
Que eu criei, combato, e ainda não venci.

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5
O que alimentar
                                                                Pseudônimo: Luna                                                             

A palavra não alimenta realidades,
Mas sim, sonhos.
Não alimenta a paz,
Mas sim, que a guerra nunca será solução.

Não alimenta o que é certo ou errado,
Mas sim, que se lhe faz feliz,
O errado vira certo, e o certo vira errado.

Não alimenta o amanhã,
Mas sim, o hoje.

A palavra alimenta os sonhos,
Porque nem todas as realidades são possíveis,
Mas sonhar é sempre preciso.

Não alimenta a paz, pois às vezes,
Ela não é permitida,
Mas alimenta que a guerra não deve ser seguida.

Não alimenta verdades absolutas,
Mas sim, definições que fazem
Bater feliz o coração.

Não alimenta o amanhã,
Porque ele pode não chegar,
Mas o hoje, que está aqui,
Inteiramente para se desfrutar.

Palavra é isso,
Alimento que sacia o interior
das almas mais vazias.

Que dá asas às fantasias
Que se bem alimentadas
Viram alegrias.

Com a palavra,
Tudo se transforma,
E ela permite escolher
Se a sua vida será
Poesia ou prosa.

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6
Palavras
Pseudônimo: Alfredo Sputinik

Palavras diluídas
Palavras ocultas sob o tapete
Como pó, como sujeira
O fruto da sua hipocrisia

Que move um planeta em vão
Batendo os pés no chão
Em uma sinfonia melancólica da cidade explodindo
Em suas multidões

Que correm
Nessa valsa diária
Que não tem passos certos
Ou caminho correto

Todos grandes guerreiros-aprendizes
Bailarinos que sorriem entre as adversidades
De um palco concreto, convicto, contraditório
Não param, nunca param
Esmagados e devorados
Pela massa que grita e geme
Em um doce ar de felicidade

O sonho vira utopia
O hoje vira ontem
O que era perfeito, não se torna tão perfeito
E a vida vai, vem
Balança
Com seus bruscos e arredios arranhões na face, emoldurados

E elas, as palavras, pessoas
Que escrevem sua história
E assim, juntas, formam a realidade:
Um livro chamado vida.

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7
Recado a uma camicia nera
Pseudônimo: Tuninho Artô.

Primeiramente,
Fora temer o tempo
Que lento se faz presente
No teu olvido semblante
– Sem que lacre mais teus olhos
De verdes castanhos –
Um desejo inerente e constante
Subsistirá a cada instante
No teu corpo de passageira
De ilusões perdidas…
Pois inconsciente
De tuas idas e vindas
O tempo passará
E essa tua vontade,
Nas horas derradeiras,
Permanecerá
E tu irás buscar
Quem te alimentou
Com a verdade:
As velhas palavras
E filosofias
Que um dia
Tu quiseste sepultar.
E eu te direi
Sem piedade:
Como Artaud
Como Marx
Como Heráclito
Como Brecht
A história é cíclica.
É dialética:
“As coisas não vão
Continuar sendo como são;
Porque elas são
Exatamente como são!”

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8
te/diss.e.co
Pseudônimo: Luísa Oliveira

aviso, palavra, querem circunscrever
você que nem cabe definição só, palavra, és
transmissão do pe(n)sar, palavra, até quando
ditam concreta e deslembram,
palavra, do tanto abstrato que carregas tão bem
te queda suportar as fribrilações letrais.

o que faz a tua inteireza
sustenta a mim ou a nós?

na cinza massa és cicatriz, ferida e
cura quando te esvais no
habitat. antes ou depois há
nutrição da áurea ao árido.

não sussurrem metáforas florais
que o cordão umbilical sentido
é o som quando no parto
te arranco. sou tua
e és minha, posse
que alimenta paciente.

palavra que é palavra e
é constelação nua
no princípio do verbo que nem se conjuga
a física que te formata é tal
que a quântica língua te vê unicelular
e a musidista longas melodias intercaladas.
escutam-te onde nasces
o breu apenas te acolhe ou estala
no interior oblíquo, em nós
(nem tantos)
inocentes significados.
[desdiciono
verbetes em vices e versas]

além do ipiranga voam os urubus
internos rebelam-se no enigma
trancafiado entre pêndulos da letra
sou teu músculo, ou és minha alma
e da carniça – tão podre – extrais
o néctar.

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9
Sem título
Pseudônimo: Lunna

Que poeta é que se cala?
Silencia a dor,
Emudece a emoção
E paralisa?

Diante do revés, se acovarda?
Da opressão, retrocede?
Não acredita no movimento,
Não vê nem luz
E nem futuro!

Não acredita no milagre!

Quisera um pouco de esperança
De que a verdade fosse então libertadora,
Não tão somente como a palavra “Lei”
Mas tanto quanto o sentido de “Justiça”!

A palavra do poeta não é “Pão”,
Não mata a fome!
Não é “Remédio”, não cura
Nem alivia o tormento…

A palavra “Teto” não abriga
Nem na palavra “Amor” cabe todo o sentimento…

Antes a palavra fosse “Soco”, “Pedra”
E não “Silêncio”;
Fosse grito de guerra
E não “de ordem”!

A palavra “Poder” é um trono vazio!
É preciso “Povo” e “Praça”!

Ainda que fosse “Semente” ou “Flor”,
“Vento” ou “Colibri”…
Ainda assim não conteria
Toda a necessária e bendita poesia.

Porém o único que o poeta tem e pode dar
É a sua palavra!

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16 respostas para III Polo Poético

  1. Daniela Santi disse:

    A felicidade tem várias formas de expressão,a minha, hoje , é a do prazer! Prazer em costatar que existem universitários que não apenas desfilam nos pátios e escadas dos campus, mas absorvem,consomem,mastigam e recriam os momentos de vida ,pelo olhar atento da sensibilidade e beleza. Mesclam palavras e ideias de maneira que toquem o coração e a mente de quem as lê. Parabéns!

  2. Susana disse:

    Aquela palavra

  3. Mariana savedra disse:

    Alice alternativa me representou! Nada como uma poesia para viver…

  4. Pedro disse:

    Muito bom

  5. Samuel Guimarães Costa disse:

    Todas as poesias são lindas, porém, a que mais Macau comigo foi A Partida.

  6. Daiana Salles disse:

    Demais!

  7. Ivone disse:

    Adorei muito boa!! Sentimentos!!

  8. Márcia Leal disse:

    Linda poesia

  9. Márcia Leal disse:

    Linda poesia, adorei!

  10. André Andrade disse:

    😉

  11. Leila disse:

    A Partida é uma dor sem palavras, expressa em palavras.

  12. Sindely Alchorne disse:

    A partida de fato nos parte e não parte! Amei a poesia. Parabéns.

  13. Muito boa e profunda essa poesia.

  14. LUCIANA BARROS VIDAL disse:

    Muito bom. Que bom saber que em tempos modernos, onde as pessoas não se permitem usar seu tempo com encontros, a perda passa desapercebida, no entanto, existem ainda quem se sinta tocados por outros sentimentos, alem dos cultivados na sociedade de consumo.

  15. Rosali Zavoli disse:

    Lindos, lindos, lindos. Parabéns a todos e todas que participaram. Excelente nível!
    Fico muito orgulhosa de ver alunos tão talentosos.
    Tive dificuldade para escolher o poema. Não importa quem será o escolhido, pois todos já são vencedores.

  16. Palavras, Alfredo Sputinik 😉👍

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