IV Polo Poético

O Polo EaD de Nova Friburgo, por meio da coordenação do curso de Licenciatura em Letras, está organizando o IV Concurso de Poesias Polo Poético.

Dos poemas enviados, 14 foram selecionados para participarem da grande final do dia 07 de outubro, na IV Jornada de Letras, quando serão definidos os vencedores dos prêmios.

Confira o regulamento do concurso e a programação do evento. Não deixe de participar!

Os textos para a votação estão dispostos a seguir, em ordem alfabética. A votação deve ser feita na enquete ao final da página até às 23h55min do dia 06 de outubro.

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A meta da palavra
(Odílio Fausto)

Em tempo de democracia a palavra que censura
Em tempo de liberdade a palavra que aprisiona
Qual a meta da palavra?

a palavra-jurídica, imparcial (in)justiceira dura lex sed lex
a palavra-política, corrupta capitalista pérfida
Qual a meta da palavra?

No dia a dia a palavra-mercadoria, depreciada frívola reificada
a velocidade da vida refletida no poema
a palavra-científica, progressista filosófica prosaica

Qual a meta da palavra?
a palavra-artística, sublimada libertadora poética
quem não anda com ela errante será
quem não a conhece subjugado estará
metapalavra

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Amplitude
(Ferdinand Lamblet)

Quando
Em pelo menos
Uma fração de segundo

Nossa voz puder ecoar na rua
Podermos comer as frutas ainda maduras
Juntar os nós dos nexos
Perplexos
E alçar voos plácidos em direção à liberdade
Respiraremos

Até então
Temos que nos contentar com o implícito
Ínfimo
Com uma única mordida que não sacia a nossa fome de esclarecimento

Dissimulando
E colorindo mais uma vez, arbitrariamente, as rosas
Antes vermelhas, subitamente azuis

Por derradeiro
Esperamos o tempo em que sorriremos discretamente
Mas com o real sentimento
Mesmo que inicialmente perene

De que galgamos, finalmente
A nossa verdadeira e sincera
Amplitude

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A paixão segundo GH II 

A José Régio autor de Cântico Negro
(Babagi Nakupenda)

 

Ou viram do piranga
As vargens clássicas
De um povo heroico e brabo!
Ou põe a coroa sobre a tua cabeça,
Antes que um aventureiro lance mão!
Oh almaminha! Oh pátriamada!
Último refúgio de todos os canalhas
Colonizadores, imperiais e republicanos!
Povo disforme que assume a forma da coca cola,
Do big mac, do iphone e da suástica nazista
Pra brincar de coxinhas nos campos do senhor!
Salve Hector Babenco e o Cacique Raoni!

Não sois viajantes do tempo,
Nem exploradores espaciais,
Mas prisioneiros de época nefasta!
Destilando o vosso ódio arrogante
E MêBêLista!
Vós não tendes nada de novo.
E apesar da pouca idade,
Sois passadistas de primeira,
Dignos de museus medievais,
Com jargões e práticas mui antigas:
Fecham exposições de arte,
Em nome do falso moralismo!
Cassam direitos dos trabalhadores,
Sob os auspícios de vossas mentiras,
De quebras na previdência social!
Pregam a escola sem partido,
Para proliferar vossa ideologia fascista!
O fundamentalismo religioso,
Como se Deus, se há, tivesse religião!
E a volta da ditadura militar…
Baratas,
Vós sois baratas!
E baratas são esmagadas pela história
E devoradas pelo Gênero Humano!
Tendes o mesmo velho discurso
Das elites burguesas
Que sempre expoliaram
A pátriamada!
Mas
Não passarão!
Pois euu tenho meus velhos que morreram jovens:
Na guerrilha do Araguaia,
Nos porões do DOPS,
No DOI-CODI,
Na casa da morte, em Petrópolis,
No pau de arara…
A morte de nenhum deles foi em vão.
Eles estão vivos em cada um de nós,
Porque ousar lutar é ousar vencer.
Nós preservamos a sua memória.
Não estamos condenados a repetir
O nosso passado porque o confrontamos.
Celebramos a sua dor
Para que não sejam esquecidos!
Companheiro Vladimir Herzog,
Presente!
Companheiro Carlos Lamarca,
Presente!
Companheiro Carlos Marighella,
Presente!
Companheiro Marco Antônio Braz de Carvalho,
Presente!
Companheiro Nelson José de Almeida,
Presente!
Companheiro Joaquim Câmara Ferreira,
Presente!
Companheira Isis Dias de Oliveira,
Presente!
Companheira Ana Maria Correia,
Presente!
Companheira Sônia Maria de Moraes Angel Jones,
Presente!
Companheiro Issami Nakamura Okano,
Presente!
Companheiro Rubens Paiva,
Presente!
Companheiro Fernando Santa Cruz,
Presente!
Companheiro Roberto Cietto,
Presente!
Companheira Iara Iavelberg,
Presente!
Companheiro Stuart Edgar Angel Jones,
Presente!

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“A que será que se destina?”
(frase da letra da música “Cajuína” de Caetano Veloso)
(Lua em Aquário)

O peito aberto,
Ao tiro ou ao coração do estranho?
O coração atingido docemente,
A cabeça perdida sem ideia ou pensamento…

A que se destina o tempo?
A parar o calendário, retroceder ao obscuro,
Voltar à gênese, ou avançar as estações?
Pular de galho em galho,

Passar no susto?
As crianças e os cabelos crescem,
Embranquecem…
Perde-se o fio no esquecimento,
No apagamento da história!

Urbanidade higienista revolve os nossos ossos,
Varre a nossa pobreza para longe dos nossos olhos.
Para qual destino?
Para qual fronteira?
Abrem-se enormes praças para ninguém!

A que será que se destina essa marcha?
À ré?
Culpada ou inocente?
Qual o destino dessa “coluna”?
De sul a norte, conquistar o território

Ou subjugar e oprimir?
De oeste a leste extrair o minério e abandonar as terras devastadas,
A lama seca e o chão rachado?
Ou semear um novo sonho?

E se o destino não está traçado?
E se somos nós os senhores da nossa palavra?
E se não nos vendemos à Pós-verdade por dois tostões?

É preciso virar a página com tantas questões,
Porque a resposta está no verso!

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A voz da resistência
(Lina)

Ela desabrochou, anunciou a existência
Com malemolência nasceu no fértil terreno.
Sereno foi o espetáculo de pertinência
Quando teve inteligência para ultrapassar o outono.

Do sono, amanheceu e floresceu irreverência,
Por mais que a violência lhe viesse rasgar a expressão.
Sua proliferação ultrapassou a prepotência,
Sendo referência para os que estavam a sós
E foi então que ouviu-se a voz da resistência.

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deus me livre
(Rique)

deus me livre de ser certo
dos que sabem aonde vão
que já acordam bem dispostos
deus me livre de ser são

dos que querem seus direitos
só dos seus e não dos outros
que tanto querem liberdade
pra se encherem de ouro

deus me livre de conhecer deus
ir em seus templos de pedra
mas dar as costas para os seus
vê-los de cima, todos na merda

deus me livre ser “de bem”
deus me livre de ser são
deixe-me ateu, pobre e torto
pois assim sou mais cristão

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LABUTAR
(Zé Ninguém)

Lida
sofrida
A terra cultivar
A palavra lavrar

É arar
Torcer
Sangrar
Colher

É suar
Sofrer
Ganhar
Perder

Esperar
sol com chuva se casar
Uma ideia
a outra se juntar

O solo lapidar
As letras unir
A alma rasgar
O poema surgir

Espalho a semente
Meu eu é chão
Retalho a mente
e brota o grão

É angustiante
Custoso
Viciante
Prazeroso

Porque plantar
é dar comida
e escrever
é gerar vida

Quem planta
cava fundo
Quem pensa
muda o mundo

Por isso a terra
tem perigos
e a palavra
seus inimigos
O calor sufocante
O opressor alienante
A erva daninha
A censura mesquinha

A estiagem
A sequidão
A pilhagem
da expressão

O arame farpado
O bicho escondido
O discurso vetado
O texto impedido

Hay que resistir
Adubar
Refletir
Capinar

Insistir
Ousar
Infringir
Educar

Inquirir
Agitar
Intervir
Transformar

Mostrar bravura
Endurecer
E a ternura
jamais perder

Semear
a própria sorte
e poetar
até a morte

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Medos sociais
(Um Vitimado)

Na sociedade
as mudanças são reais
alguns ainda ferem os direitos
previstos em lei e fatos sociais.

Os medos ainda tratados como banais
enquanto a violência gera vítimas fatais.

Homofóbicos e racistas atacam em redes e meios sociais
promovendo intolerância e o povo querendo paz.

Discriminação no século XXI
contra aquilo que se faz,
diversidade de opiniões as pessoas não aceitam mais.

Pessoas são reais
e exigem mudanças,
direitos iguais !

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Palavras do Exílio
(Mauricio Verdes)

Olhos abertos,
Total escuridão…
O que enxergas?
Só o silêncio…

Luta voraz,
Contra o inimigo,
Íntimo desconhecido,
Que tem reaparecido.

Não! Hoje não passará!

Só por hoje!
Disse,
Só por hoje!

O que fazer?
Com vazio que traz ódio,
Ódio que esvazia,
Que se enche do ópio.

Fantasma, o outro,
Que corrompe o ser,
Outro que não sou…
Hoje não passará!

Assim,
Lute!

Faço fantasma sem querer…
Instiga-me a caminhar…
Caminho de ser Feliz!

Assim, passará!
Faço do eu,
Meu ser!
Palavra que libertará!

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Pode ser!
(KCL)

Abrir mão de ter?
Como pode ser?
Ah que vontade…
De não ter o que fazer!
Trabalhar pra ter.

Sustentar o quê?
Mas, vamos ver…
O Brasil que me sustenta
Ou eu que sustento o Brasil?
O que se respeita?

A vida pode fazer
O ser e o poder
Que respeita com prazer
Para trabalhar e ser
O pai e a mãe que podem ter

O alimento pra sobreviver
A cultura pra estabelecer
O prazer pra viver
A educação pra crescer
O respeito pra renascer

A esperança pra ter
O que pode fazer
E reconstruir o ser
Com todo prazer
Para manter nosso poder.

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Re-existir
(Fada da Luz)

Resistir.
(Re) existir
Existir de novo
Finalmente viver
Novamente persistir
Não desistir.

Resistir.
Lexicalmente, reinventar
Socialmente, gritar
Humanamente, acreditar.
Resistir.

Fênix que das cinzas me eleva
À apoteose
Ressurge num voo impactante
E me liberta.

Resistir.
Liberdade da voz
Do dedo que se caleja
No verso contemplado
Pelas letras.

Resistir.
Personificação da coragem
Ato de amar sem gênero
Escrever o que se pensa
Pensar o que se fala
Não silenciar
Reviver.

Re-existir.

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TUDO ESTAVA POR UM FIO
(Phœnix Mendoza)

Tudo estava por um fio
Pensava ser fio de teia de aranha
Mas era só aço

E rompeu-se

 

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(Alice Alternativa)

A Palavra viaja
A palavra resiste no trem
Enquanto busca através da janela oportunidades que não voltam atrás
A palavra resiste no ônibus
Quando está a todo vapor aspirando encontrar uma noite prazenteira
A palavra resiste no avião sobre as nuvens que lhe dão a chance
De esquecer o chão onde ela deve pisar
A palavra resiste no carro
Para a comodidade do encontro conveniente
A palavra resiste na moto
Ainda que pareça segura, ela deseja correr riscos
A palavra viaja a cavalo, muito além dos contos de fadas
Ela galopa, salta e é aventureira
A palavra resiste na asa delta
Se o espaço e o tempo assim permitirem
A palavra resiste no barco em meio às águas turvas
Que são necessárias para que ela aprenda a viver
A palavra resiste no bonde
Sempre vivendo a nostalgia dos amantes perdidos
A palavra resiste no navio
E não tem porto de chegada
A palavra resiste a pé e tropeça
Cai, lastima-se, levanta-se, manca
Dança e segue caminhando
A palavra resiste sem passaporte
E não tem pátria
Somente resiste

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(Otimismo)

Somos feitos cheios de conceitos
Vivemos num mundo cheio de preconceitos
Onde a palavra pode causar efeitos
Talvez você fale e isso traga causa
Talvez você escreva e mostre sua alma
A vida vivida mostrando seu discurso
Você sobrevive fugindo do abraço do urso.
Perceba, fale, mostre, escreva e transforme!
A força pode estar na transparência da essência
Do seu coração, impressa na reciclagem do papel
E da mudança de atitude da nação.

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