“Mulheres são mais que um dia”

Publicado em 13/03/2018 por polofriburgo

No dia 08 de março de 2018, na quinta-feira, a partir das 18 horas, ocorreu no Polo EAD de Nova Friburgo um videodebate com os professores Gabriel Frazão e Kelly Cristine. O filme “Estrelas além do tempo” é centrado em Katherine Johnson, uma brilhante matemática afro-americana que, ao lado das colegas Dorothy Vaughn e Mary Jackson, foram peça fundamental numa das maiores operações da história dos Estados Unidos: o lançamento do astronauta John Glenn para a órbita da Terra e seu retorno em segurança. Juntas, ultrapassaram todos os limites de gênero e raça para conseguir êxito nessa missão pioneira. O filme é baseado em fatos reais, e mostra a realidade das mulheres negras durante a segregação nos EUA, onde a população negra era totalmente separada da branca, num processo de hierarquização.

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Figura 1: Registro dos alunos assistindo ao filme “Estrelas além do tempo”. Foto: Antonio Nunes.

Segundo relatos da aluna bolsista Clarisse Tolledo Lugon, o debate se iniciou com o tutor Gabriel Frazão abordando o contexto histórico do filme, que se passa no ano de 1961, incluindo os temas da segregação e do preconceito racial. A história do filme se passou no Estado da Virgínia, nos Estados Unidos, que foi um dos últimos a abolir a segregação. Foi relatado pelo tutor a luta das mulheres na conquista de direitos civis, trabalhistas e sociais, o movimento feminista e sufragista e a diferença entre os termos “igualdade” e “equidade”: igualdade se refere a situações idênticas e equivalentes para todas as pessoas e situações e equidade refere-se à capacidade de apreciar e julgar com retidão, imparcialidade e justiça. A tutora Kelly Cristine fez uma abordagem discursiva do filme, identificando e analisando os diálogos mais emblemáticos, que evidenciavam as dificuldades enfrentadas pelas personagens no patriarcado machista e preconceito étnico. Todo o debate foi extremamente construtivo para todos os presentes.

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Figura 2: Alunos e os tutores Kelly Cristine  e Gabriel Frazão realizando o debate sobre o filme. Foto: Antonio Nunes.

No dia 09 de março de 2018, na sexta-feira, o professor Maycon Saviole, realizou uma palestra contando a história de Rosalind Franklin. O debate foi embasado nas relações entre sexismo e ciência.

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Figura 3: Tutor Maycon Saviole, e alunos presentes na palestra. Foto: Carolina Maciel Mattos.

Nascida em 25 de julho de 1920, Franklin veio de uma família abastada, judia e importante politicamente, seu sonho era ser cientista e seu pai queria que ela fosse assistente social. Rosalind estudou em uma das poucas escolas para garotas em Londres que ensinavam física e química naquela época. Em 1938 a jovem se matriculou no Newnham College, uma faculdade só para mulheres da Universidade de Cambridge, onde se formou em 1941. No ano seguinte, passou a trabalhar com pesquisa onde promoveu importantes descobertas sobre o carbono e microestrutura do grafite. Foi essa a base para seu doutorado, obtido em 1945. Depois de sair de Cambridge, Rosalind Franklin passou três anos em Paris, onde pesquisou sobre técnicas de difração de raios-x. Em 1951, voltou à Inglaterra como pesquisadora no laboratório do físico John Randall no King’s College de Londres. Foi lá que encontrou Maurice Wilkins. Eles lideravam grupos de pesquisa e mantinham projetos paralelos, ambos sobre o DNA. Quando Randall passou à Rosalind a responsabilidade por seu projeto, ninguém trabalhava naquela pesquisa havia meses. Wilkins estava fora do laboratório naquela época e, quando voltou, pensava que ela era apenas uma assistente técnica, não uma renomada pesquisadora. As mulheres nesse contexto histórico eram desvalorizadas na sociedade. Mesmo menosprezada, Rosalind persistiu em seu projeto de DNA. Entre 1951 e 1953, ela chegou muito perto de descobrir a estrutura do composto orgânico. Crick e Watson, porém, publicaram a solução antes. Em 2010, foi comprovado que o pioneirismo dos cientistas foi, na verdade, baseado nos estudos de Franklin, a “mãe do DNA”. A britânica fez os melhores registros fotográficos da estrutura até então, usando técnicas de raios-x. Ela permaneceu nove meses com o material, porém não identificou e nem publicou as hélices que, hoje se sabe, formam a estrutura helicoidal do DNA: o modelo da dupla hélice, proposto por James Watson e Francis Crick em 1953. O trabalho de Rosalind jamais foi mencionado pelos autores do artigo, publicado na revista Nature. Rosalind Franklin morreu no anonimato. Toda essa história nos mostra o quanto às mulheres sempre foram injustiçadas e desvalorizadas, não somente na sociedade, como também no meio científico.

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Figura 4: Capa da apresentação de slides, da palestra sobre Rosalind Franklin de Maycon Saviole. Foto: Carolina Maciel Mattos.