V Polo Poético

Publicado em 27/09/2018 por polofriburgo

O Polo EaD de Nova Friburgo, por meio da coordenação do curso de Licenciatura em Letras, está organizando o V Concurso de Poesias Polo Poético.

Dos poemas enviados, 9 foram selecionados para participarem da grande final do dia 29 de setembro, na V Jornada de Letras, quando serão definidos os vencedores dos prêmios.

Os textos para a votação estão dispostos a seguir. A votação deve ser feita na enquete ao final da página até às 23h55min do dia 28 de setembro

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A metafísica da fala

Pseudônimo:  homem ficcional

Ouça o ruído:

É o universo que se articula

Na caixa acústica

Da boca.

Boca a boca

A linguagem fazendo

E desfazendo

A metafísica da língua

Que fala.

E que diz-que-me diz

Ou o que pode essa língua

Que fala

Que fala

Que fala sucessivamente…?

A que digo: basta!

Já estou farto

De tanta falácia.

A palavra

Já por demais

Anda gasta

E se arrasta

precária

Pelas ruas da cidade

Decrépita

Na linguagem farta.

Lá vai ela, a palavra,

Sendo cuspida e descartada

Pela boca desesperada.

Basta!

Chega de tanta palhaçada

De tanta palafita

De tanta palavra aflita

Que a palavra

É coisa séria

Na voz da poesia.

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Nesta língua pode?

Pseudônimo: Soneto

Sim, pode,

Não desacredite!

Pode cantar,

Pintar e bordar.

Como Guimarães Rosa,

Inventar palavras,

Escrever poemas em prosa,

Pelo sertão enveredar.

Carregar água na peneira,

Tirar pedra do caminho,

Matar saudade da Amélia.

Ainda há dúvida se pode?

Estude poética!

É minha réplica.

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Esta língua 

Pseudônimo: Fernando Peçonha

Esta língua carnuda e lasciva,

feitora de maravilhas aos borbotões

na alcova de portentosas labaredas,

língua que te faz suar em cachoeiras,

sussurrar e urrar alternadamente

e que te leva a contorceres o corpo

com as mechas negras do meu conforto

feito uma saracoteante anaconda da lubricidade

(como ela mesma o é!)

é capaz de nos levar ao paraíso…

Mas esta língua tão generosa

é também uma língua ferina

que chicoteia a alma alheia

com espinhos peçonhentos e multifarpados,

levando palavras pecaminosas

que jamais retrocedem

que jamais se deixam olvidar

na mesma alma alheia agora marcada

com o ferro em brasa da frieza,

um paradoxo compreensível

a todos os já atingidos

pelas balas perdidas linguísticas!

Palavras que entram arrombando os tímpanos alheios!

Aríetes da perversidade e mesmo da blasfêmia!

Instrumentos contundentes e cínicos

que inspiraram Sade e Maquiavel,

que puseram um cão pulguento inteiro

atrás das orelhas de John Locke!

Esta língua encharcada de saliva

como qualquer outra língua pulsante,

esponjosa, latejante, vívida

escarra outra língua aos zéfiros:

uma língua portuguesa com certeza?

Uma língua brasileira e tão braseira!

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Minha Língua Latina

Pseudônimo: Vere Flos

É latina sim

Com muito orgulho

Com muito amor

É língua que fala de mim.

Beleza latina

Leveza latina

Intensidade latina

Liberdade latina

Palavras!

Palavras que vem da Flor

A última Flor do Lácio

Português, amor.

Língua que tem e não tem

Língua em que cabe e não cabe

Língua que pode muito mais do que você imagina

Língua que pode muito menos do que você gostaria.

É Português sim

Com muito orgulho

Com muito amor

É Língua que fala e não fala de mim.

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Lacunas II

Pseudônimo: Gregório Sonso

Clara mente
Pele alva
Longos pelos
Frio sentes

Belos zelos
Foguear
Aguda mentes
Chamas ar

Tu vinhas
In vino veritas
Lá te procurei

Em Paraty
Em ti
Parei

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Gosto do poder da língua

Pseudônimo: Sorriso

Gosto do poder da língua

Gosto dessa língua que destrava pensamentos,

que move conceitos,

que desperta mudanças!

Gosto da língua universal

Gosto dessa língua

que absolve o bem,

que deleta o mal!

Gosto do medo de alguns…

de que a língua vire força

na boca dos antes calados…

Gosto de acreditar que a língua

possa operar mudanças

possa fazer tempestades

virarem bonanças!

Gosto do gosto da língua

sendo só língua de prazer!

Prazer em ser, em sentir,

em querer, em satisfazer!

Minha,

tua,

nossa

língua!

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O que pode essa língua?

Pseudônimo: Lua em peixes

Essa língua tem muitas “ites”

E precisa de muitos “istas”

Para ósteo, neuro, arterial…

A dor física é a concretude da subjetividade

Que a palavra não expressa.

Mas se é “coisa” autoimune,

A culpa toda é só sua!

Sua bússola desorientada não navega com precisão.

Vá então ouvir as estrelas,

Vá ler seu mapa astral!

Porque oração de Lua cheia não tem sujeito nem verbo.

Tem a língua da Mãe terra,

A língua dos Orixás!

Há tanta ancestralidade nessa língua,

Tanto Portugal, tanta África,

Tanto tambor, tanta dança,

Tanto índio nas placas dos nomes das ruas…

Essa língua é uma progressão geométrica,

Uma probabilidade infinita!

Não está presa na gramática

Nem nas bancas da academia.

Essa língua anda solta por aí, pelas praças,

No desafio de um Cordel reinventado

Nas rimas da quebrada,

A esgueirar-se pelos becos mais desbocados,

Pelos guetos, pelas veredas…

E se essa língua, para falar de menino

Tem – “adolescente” e “menor” –

Pode crer que a diferença está na pele, na cor.

Chamar extermínio de “Pacificação”

Não é ressignificar, é subverter a lógica!

Essa mesma língua que lambe o mel da minha libido,

Cospe do ódio o fel, que escorre nas pedras onde piso.

É um “currupaco-papaco”,

Um bate-estaca,

Uma roda-vida,

Um corre-corre…

Essa língua que tem hífen, e que não tem,

Tem regras, tem liberdade.

Abraça neologismos, dialetos, silêncios…

Tem unidade e idiossincrasias…

Essa língua tem o paradoxo da utopia

Sempre sempre além-mar

E em seu passado fantasioso de glória,

A de ser no mundo a única a ter a palavra Saudade.

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Mesmo diante de outros amores

Pseudônimo: Anjo Azul Marinho

Por mais belas que se apresentem

Ainda assim tu és para mim

A que me acompanha desde pequeno

Desde lá quando ainda era o latim

Maravilhosa e capaz todos os dias

Faz mais, sempre mais…

Até os de fora já são de casa

Chegando e ajuntando essa história

Fazendo mais uma vez por esta hora

Quantas alegrias queremos contar?

Sem nem poder pensar em te deixar

Seria covardia deixar-te sem ter essa alegria

Ao deitar e ao levantar sempre estará lá

De prontidão para nos ajudar a falar

Nossos orgulhos e nossas vergonhas

Nossos desejos e nossas paixões

Tudo passa por ti, tudo é parte de ti.

Fazemos o melhor que podemos

Para não deixar de te cumprir

Assim vamos te servir, agora e aqui

Vou ser para ti o que és para mim

Ser, querer, fazer, viver, nascer, morrer,

Bater, adormecer, acontecer, amanhecer,

Chover, entardecer, agradecer, escolher.

O que imaginamos e o que concretizamos

Somos assim o que falamos

Somos assim o que agimos

Somos assim o que aprendemos

Somos o amor, somos a vida, somos a língua!

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No início vivo e forte

Pseudônimo: Fontinhas

No início vivo e forte,

Mais um pouco, já tenho o fruto.

Em seguida tudo envelhece, seca e cai.

Passo por essas mudanças,

Sabendo que no final,

Tudo que caiu renascerá,

Mais belo, mais forte,

E pronto para quando a primavera chegar.

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